A aparição de Nossa Senhora em Itaúna, Mg, em 1955

 

 

gruta_nossa_senhora_itauna_7

 

A então pacata Itaúna, na Região Centro-Oeste de Minas, viu sua calma rotina ser tomada por um alvoroço de fé e religiosidade em 27 de julho de 1955. Naquele dia, a população local se comoveu com a notícia da aparição de Nossa Senhora sobre um cupinzeiro para três garotos, em uma mata fechada próxima da antiga Vila Mozart, hoje Bairro de Lourdes. A reação das pessoas não poderia ser diferente, e o evento só reforçou a devoção mariana que já era presente na cidade.

Filhos das primeiras famílias a habitarem o loteamento, Eduardinho, Totõe e José Rita eram amigos e adoravam se aventurar na mata perto de suas casas. Tarzan era um dos personagens preferidos dos meninos, e a mata o cenário ideal para suas brincadeiras. Naquela manhã de 1955, ao sair para procurar o cavalo do pai de Eduardinho, os três garotos avistaram uma luz forte descendo do céu. Na época com 8 anos, o  bombeiro hidráulico aposentado Eduardo Vasconcelos lembra-se bem daquele dia. “Vimos descendo do céu uma nuvem branca brilhante, que foi parar sobre um cupinzeiro na mata. Apareceu Nossa Senhora, toda bonita, como se fosse um raio de luz. Ficamos assustados e fomos procurar o padre José Netto”, conta.
A notícia se espalhou rapidamente pela cidade e a Vila Mozart passou a ter um intenso movimento de curiosos e fiéis em busca das bênçãos da Virgem Maria. As pessoas foram abrindo caminho na mata para facilitar o acesso ao cupinzeiro e o local da aparição foi se transformando. Eduardinho, Totõe e José Rita continuaram a visitar o local por vários meses, e as aparições continuaram. Outros videntes apareceram, e a história foi ganhando força.
Discreto sobre o assunto, Eduardo Vasconcelos descreve com clareza a figura de Nossa Senhora: “Ela tinha a pele morena clara, cabelos pretos compridos caídos sobre os ombros, mãos e dedos compridos. Seu vestido era branco e brilhante e, sobre ele, havia um manto azul. Ela não usava véu. Na mão direita, sobre o peito, carregava um terço com contas que pareciam diamantes. Na mão esquerda, tinha uma flâmula branca em formato de triângulo”. Sua última visão da santa foi aos 18 anos.
Sem acreditar muito no burburinho que acontecia na cidade, o farmacêutico Ovídio Alves de Souza começou a fazer visitas ao local da aparição por curiosidade. No dia 2 de agosto, durante uma de suas visitas à gruta, surgiu em seu pensamento as palavras “ó Virgem Maria Santíssima, em honra e glória ao Divino Espírito Santo, concedei-me uma graça. Fazei com que eu note a vossa presença, não só para aumentar a minha fé, mas também para a conversão dos que não creem”. Poucos segundos depois de repetir algumas vezes a prece, para memorizá-la, ele vê a Virgem Maria ao lado do cupinzeiro. Achando que poderia ser uma ilusão de ótica, o farmacêutico mudou de posição, mas ainda a enxergava.

cnot_5551
VIDENTE
E ele, que chegou a considerar exagerada a reação das pessoas, acabou se tornando um dos mais importantes videntes das aparições em Itaúna. Sempre mantendo a discrição e em contato constante com o padre José Netto, então responsável pela Paróquia de Sant’Ana, igreja matriz do município, nos meses seguintes Ovídio seguiu visitando o local e tendo diversas visões. A última visão de Maria que ele teve foi em 15 de agosto de 1961.
O farmacêutico, já falecido, registrou toda a experiência em um diário. Em 27 de novembro de 1955, ele descreveu mais uma aparição, detalhando pela primeira vez a mensagem escrita na flâmula que Nossa Senhora trazia: “Jesus Christo, eterno Deus. O paganismo ameaça o mundo. Erguei o altar, orai com fé e vós vereis o milagre da conversão”. A atuação do farmacêutico nessa história não ficou apenas em ter as visões, registrá-las e manter-se, até o fim da vida, frequentador assíduo do local. Ele ajudou a população e a igreja a levantar o dinheiro para a aquisição do lote e construção e preservação da gruta.
As obras da Gruta de Nossa Senhora de Itaúna começaram em 1956, sendo concluídas no ano seguinte. Em 1958, foi entronizada no altar construído no mesmo local do cupinzeiro a imagem de Nossa Senhora de Lourdes, e missas começaram a ser celebradas.

 

Professora aposentada da Universidade de Itaúna e escritora, Maria Lúcia Mendes está levantando a história das aparições no livro Aparições marianas – Nossa Senhora de Itaúna, com previsão de lançamento em agosto. Mesmo criança à época, a autora lembra bem do alvoroço que o fenômeno causou na cidade. “Minha mãe era católica fervorosa. Fomos lá logo nos primeiros dias. O acesso ao cupinzeiro era difícil e não tinha iluminação. Eu era menina, então fiquei muito impressionada. As pessoas rezavam com uma fé muito grande e espalhavam velas por todos os lados. Elas iam arrancando pedaços do cupinzeiro para guardar”, conta.
“Quando das aparições, nosso padre era muito pragmático. Ele seguiu tudo de perto, mas pediu cautela e que não se explorasse comercialmente o acontecido”, recorda Maria Lúcia. O atual pároco da matriz de Sant’Ana, padre Francisco Cota de Oliveira, segue o mesmo raciocínio. “Ainda é uma aclamação popular, e respeitamos a fé do povo.”
Em 2001, dom José Belvino, bispo de Divinópolis, deu autorização para a reprodução da imagem de Nossa Senhora de Itaúna, mas a aparição e a imagem ainda não foram reconhecidas pela Santa Sé, mesmo preenchendo os requisitos necessários e se desenvolvendo de maneira muito espontânea”, explica.
“A flâmula pedia ‘ergueis o altar’, e construímos a gruta. Dizia ‘orai com fé’, e apareceu o grupo Filhos de Maria. E concluía a mensagem com ‘vereis o milagre da conversão’. Acho que o terço dos homens é o coroamento dessa profecia. Não há um dia sem que vá gente à gruta, e vejo um movimento muito intenso de jovens frequentando o local”, observa Maria Lúcia Mendes, que espera que seu livro faça com que as pessoas, principalmente as gerações mais novas, tenham contato com essa história tão importante. Dos videntes, seguem vivos Eduardinho e Totõe (Antônio Morais). José Rita faleceu por volta dos 40 anos.

 

FILHOS DE MARIA
Toda quarta-feira, às 20h, a Gruta de Nossa Senhora de Itaúna recebe um dos maiores terços dos homens do país. No grupo de oração só é permitida a participação de fiéis do sexo masculino, sem restrição de idade. A primeira reunião do Filhos de Maria, nome dado ao grupo, foi em 2 de agosto de 2006, com a presença de 17 homens orientados pelo padre Adilson Neres Vieira. Representante comercial aposentado e tesoureiro do Filhos de Maria, Oclídio Francisco da Silva participa das reuniões desde o começo e garante que só falta às orações quando não está na cidade. Ele lembra que o grupo foi ganhando força e chegou a ter a participação de mais de 2,5 mil homens num só dia. “Começou daquele jeito. Um convida o outro, o outro convida mais outros… E quem vai não deixa mais de ir. Hoje, são mais de mil fiéis toda quarta”, conta. O ambiente de fé é marcado por preces, músicas e amizade. (fonte)

Facebook Comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado